domingo, 8 de dezembro de 2013

Riviera Maia - o paraiso para além de Cancun



Você conhece Cancun?
Eu estive lá em 1996 e fiquei muito impressionada com a cor do mar.
Como estava vindo de uma temporada de NY-Miami_Disney, acabei passando a semana toda dentro do mega hotel, só saindo pra visitar chichen-Itza e Xcaret.

Well, este post não é exatamente sobre Cancun, mas é preciso saber um pouquinho da historia dessa cidade mundialmente famosa, para entender que o paraiso vai além dos resorts de Cancun...
Antes da pacificação dos Maias (que só aconteceu na segunda década do sec XX), essa parte do Mexico era considerado um território inóspito e mesmo depois da Revolução, com uma politica nacional de desenvolvimento da industria e a urbanização , essa parte continuou um pouco esquecida, apesar do governo ter a intenção de explorar os recursos naturais e desenvolver a agricultura na região maia.
Um pouco antes da Segunda Guerra Mundial, os EUA obtiveram autorização para construir um aeroporto na ilha de Cozumel e assim, estabelecer uma importante rota comercial entre Miami e a peninsula de Yucatán.

Com o embargo a Cuba e para deter um possivel avanço do comunismo no Caribe, os EUA se comprometeram a impulssionar o desenvolvimento dos paises que firmassem a Carta de Punta del Este e tambem desenvolvessem planos de desenvolvimento do territorio.
O Mexico aproveitou essa "boquinha" e dinamizou a construção de instalações turisticas nas ilhas de Cozumel e Mujeres.
Nessa onda de realizar projetos para ter direito a recursos estrangeiros, o governo mexicano tirou da gaveta o Projeto Cancun, cuja construção iniciou-se em 1970 e em apenas 10 anos, superou em aprox 300% os visitantes de Cozumel. Problemas politicos impediram que houvesse a implantação de qualquer programa de desenvolvimento urbano e o territorio ficou à mercé dos investidores particulares durante mais de uma década - imagine um aumento populacional de mais de 90% e um crescimento turistico de mais de 20%, sem nenhum investimento em infra estrutura (agua, luz, pavimentação, etc...)!
Mas, de qualquer modo, Cancun virou historia e esse nome invoca paraiso de praias azuis,areia branca, margaritas, e muita diversão!

Por outro lado, o incentivo dado ao turismo no inicio da decada de 30, permitiu que outros "points" se desenvolvesse ao longo do corredor Cancun- Tulum.
E hoje em dia, esse pedaço conhecido como Riviera Maia, é um corredor de praias maravilhosas, hotéis fantásticos (alguns na onda ecológica) e grandes parques aquáticos/ecologicos.



E foi pra essa area que fomos durante alguns dias.
Escolhemos um hotel simples, fora de Cancun, em uma praia chamada Xpu-Ha.

Com crianças pequenas, não queríamos um daqueles imensos resorts com all-inclusive, todo tipo de atividade para crianças e adultos e piscinas que concorrem com as belas praias.
Nossa ideia era conhecer alguns lugares e fisemos nossa seleção:
- o parque ecologico Xel-Ha
- outro parque , bem antigo, Xcaret
-  as ruinas maias de Tulum
- a praia de Akumal
- Playa Paraiso
- Cenote dos Ojos

Alugamos um carro em Cancun e pegamos a estrada, maravilhosamente conservada e super sinalizada (nem parece Mexico, se compararmos com Guadalajara, jajajaj)

Os parques são incríveis. Neles se pode nadar com golfinhos (eu totalmente recomendo!!!!) e com tubarões (não tivemos coragem, ...).


Vc só tem que se preparar para ficar de traje de banho o tempo todo, carregando mascara, snorkel e seu colete salva vidas.
No Xel-Ha , mais novo e moderno que Xcaret, o sistema é all inclusive e te dá direito a todos os equipamentos, toalhas, lockers, comida, bebida, etc.
Já no outro parque, vc precisa pagar por todos os equipamentos.

Tulum é um lugar maravilhoso, bem conservado e com uma praia espetacular.
Se você contratar, na entrada do complexo, o passeio de barco com mergulho, com certeza sua experiência maia ficará mais completa.

Ali perto fica a Playa Paraiso, onde você pode passar o resto do dia nas espriguiçadeiras da praia, bebericando e comendo.

Tambem estivemos na Playa Akumal e essa, apesar de não ser tão bem estruturada como a Paraiso (não tem restaurantes, espriguiçadeiras, etc) tem algo que é surpreendente: você pode alugar uma máscara com snorkel e seguir as bóias nadando em aguas transparentes e não muito profundase dar de cara com arraias, tartarugas e peixes imensos.
Eu confesso: esse momento foi o mais legal pra mim. Mais do que nadar com os golfinhos porque se tratava de um lugar totalmente "natural"; não era algo provocado pelo homem; os animais estavam ali, sem serem perturbados.


Incrivelmente lindo e a cor do mar parece uma pintura !

Nosso ultimo dia foi dedicado à um dos Cenotes existentes na região, o Cenote dos Ojos, administrado por 175 familias descendentes dos maias.
Cenotes são, basicamente, cavernas com deposito de agua. e mais do que a importância de ter agua, os maias acreditavam que nesses locais vivia o Deus cuva- chac.
Vestimos roupa de neoprene para aguentar a temperatura fria da agua e mergulhamos de mascara e snorkel na agua cristalina. Se você quiser ,nesse cenote pode alugar cilindro e percorrer a passagem subterrânea que liga os dois cenotes do complexo.


Se você tiver mais tempo, sugiro que visite Chichen-Itza, que fica um pouco mais longe, mas, em termos de ruinas, é impressionante e encantador. eu estive lá em 1996 e pude subir na pirâmide. Soube que hoje em dia não é mais permitido, mas mesmo assim, vale a pena.

Esse passeio todo custa caro, os preços são geralmente em dólares e você vai falar mais inglês do que espanhol.
Os americanos e canadenses preferem os resortes e os grandes complexos enquanto que os europeus podem ser vistos nas praias mais selvagens.
Os brasileiros estão em todo canto, kkk

De qualquer modo, a região toda tem lugares ainda a serem explorados e se você tem um pouco mais de tempo e de gosto por aventuras, divirta-se.
Só lembre-se que, apesar de não parecer, você ainda estará no Mexico e tem que tomar precauções com a dengue, os "trombadinhas", os narcos, etc. Não fique dando bandeira com carteira e celular e nem resolva fazer viagens noturnas.
De resto, divirta-se e aproveite um pedaço do paraiso na terra.

Saludos











sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Dia de Muertos


Dia de Finados ou Dia de Muertos, aqui no Mexico.
 
Esse é um dos feriados mais importantes por aqui, um patrimônio da humanidade pela UNESCO. E uma das festas mais coloridas também.
Agora você deve estar se perguntando: “Festa? No dia de Finados? Que raios de católicos são esses mexicanos?”.
Pois é, a maneira como eles encaram a morte é um pouco diferente da maioria dos brasileiros que eu conheço, independente da religião. E isso tem raizes nas culturas antigas,e que ainda está muito presente no mexicano moderno.
Em relação aos brasileiros no dia de finados, eu os divido em três tipos diferentes:
- aqueles que, nesse dia, visitam o cemitério, compram flores para enfeitar as lápides de seus entes queridos e choram o resto do dia, de saudades dos que se foram.
- aqueles que se reúnem em missas, cultos, para orar pelos que se foram
- aqueles que aproveitam o feriado para viajar. Aqui me incluo pois mesmo tendo perdido pessoas muito importantes para mim, eu nunca fui de visitar cemitério ou ir à missa....

 Então, o que há de tão diferente no dia dos mortos mexicanos?

Tudo!
A visão da morte para as civilizações pré-hispânicas (maias, astecas, zoltecas, etc...) não tinha a conotação moral da igreja católica. Não havia o binômio paraiso/inferno, premio/castigo.
A morte não era tratada como uma ausência, mas sim como uma nova etapa da “vida”.
Trazendo essa visão e mesclando com a dominação católica-hispânica, o resultado é que, os mexicanos entendem o dia dos mortos como o dia em que seus entes queridos virão para uma visita. E ninguém recebe visita com cara fechada, olhos mareados de choro, com a casa bagunçada e sem comida, certo?
E é isso que os mexicanos fazem no dia dos mortos: se preparam para passar um dia com o finado.
Dito isso, devo explicações: a imensa maioria dos mexicanos ainda é católica, com ínfima parcela em outras religiões. E eles não imaginam que o ente querido vá se “materializar” na frente deles, para uma visita. É mais como uma maneira de recordar o morto usando todos os nossos sentidos (olfato, paladar, tato, audição, visão).
O dia 1 de Novembro é o dia de los angelitos, dia dedicado a relembrar as crianças que morreram e que iniciam sua viagem/visita na noite de 31 de outubro.
No dia 2 de novembro, feriado, é a data para os mortos adultos, que por sua vez, iniciam a viagem na noite do dia 1°.
Os cemiterios ficam lotados nesses dias, inclusive a noite. E é comum ver familias inteiras fazendo refeições completas junto à tumba/lápide de seus entes queridos

Cá entre nós, eu fico aqui pensando... se essas almas realmente viajassem para essas visitas e já que a recepção é tão calorosa e agradável, quem é que gostaria de voltar para o outro lado?
Eu, hein?!  Na minha imaginação fértil, isso daria um bom livro/filme... uma alma que veio visitar sua familia e resolveu ficar. Já pensou?

Well, voltando as coisas mais séries e nem por isso menos interessantes...

A morte tem inúmeras representações na cultura mexicana. Inclusive, as Catrinas, caveiras supercoloridas, vestidas e adornadas ricamente, são figuras que povoam toda a arte mexicana. E são lindas !!!!!



 O lance é que, toda família mexicana prepara em casa um altar com vários itens para celebrar esse dia, essa visita.
Usualmente, esse altar tem três níveis: céu, inferno e purgatório. Mas há quem faça com muitos mais níveis. Uma simples caixa de sapato, unida à outra e à outra, revestida com papel colorido já basta. Para adornar, uns palitos tipo churrasco, cercam as bordas, onde se colam outros papeis coloridos, lembrando algo da nossa Festa Junina.
O altar, em si, pode ficar em cima de uma mesa ou aparador, ou ser grande o suficiente para reunir todos os demais itens em si mesmo.

Os mexicanos imaginam que o ente querido vá fazer uma viagem até a casa de sua família e para isso preparam um altar com coisas que irão facilitar a sua “viagem”.
Cada oferenda e item do altar tem um significado:
- um copo de agua: para matar a sede do visitante e também porque representa a pureza da alma
- a comida preferida do morto (ele vai estar com fome depois da grande viagem, certo?)
- as  velas – para iluminar o caminho
- o retrato do defunto – que é colocado de costas e frente a ele se coloca o espelho para que o defunto só possa ver a  seus familiares.
cruz feita com a flor cempasuchil

- a cruz católica (introduzida depois da invasão hispânica...)









- velas – será a luz para guiar o morto pelo caminho até o altar


- copal e incenso : o copal é um elemento pré-hispânico que servia para purificar as energias de um lugar e o incenso serve para santificar o ambiente  



- arco- esse arco simboliza a entrada do mundo dos mortos e geralmente é adornado com flores amarelas dessa época, cempasúchil

- papel picado –  para representar a alegria de receber essa visita





- caveiras – calaveras de açúcar, ricamente decoradas e que servem para recordar que sempre estamos presentes  

- pão típico : el pan de muerto, um pão feito com farinha branca, açúcar e casca de laranja. Esse item também foi agregado com a evangelização dos índios e representa a eucaristia

- bebida : geralmente alcoolicas – tequila, o mezclal, etc...
- objetos pessoais – por ex, se o defunto fumava, um cigarro; se gostava de musica, um violão, e assim por diante

Com todos esses itens nas mãos, basta escolher o lugar e montar o seu altar.
Se você é estrangeiro e nunca fez nada parecido (como eu), pode comprar todos esses itens em uma feirinha no Parque Morellos, bem no centro da cidade, cujas barraquinhas, nessa época do ano, só vendem essas coisinhas. Digo coisinhas porque você pode optar por ter no seu altar os itens em tamanho natural, ou compra-los em miniaturas, as vezes feitos de resina, as vezes de papier maché.

 
Esse foi o altar que fizemos em casa e ficou "muy rico".
 

Nas escolas mexicanas, as crianças são convidadas a confeccionar um altar em conjunto, geralmente para personalidades da historia mexicana.


Esse foi o altar - imenso- que fizeram na escola dos meus filhos.
















É dificil passar o tipo de energia que se sente nessa época aqui no Mexico. Parece uma festa, mas com muito respeito.

Os cemitérios mais concorridos e com tumbas interessantes, organizam tours monitoradas durante esse período, uma vez que os mexicanos se preparam para esse evento com semanas de antecedência.
Infelizmente nós não tivemos pique de encarar esse ritual, mas talvez façamos em um outro ano.
Afinal, não é qualquer cemiterio que tem a tumba do Vampiro, ou do menino que tinha medo do escuro e cujo caixão voltava à superfície todas as noites!
Lendas do cemiterio local, caros amigos....

Eu não sei quanto aos outros estrangeiros que vivem no Mexico, mas minha familia e eu vamos adotar esse hábito de construir um altar para nossos mortos queridos no dia de finados, mesmo que a gente não mais viva no Mexico.
Me pareceu uma maneira muito agradável de celebrar o tempo que tivemos com pessoas queridas.

Não sei, posso ser muito "boba", mas depois dessa celebração, a dor da perda me pareceu mais suportável.
Claro que nunca o vazio deixado por uma pessoa amada vá ser preenchido com papel picado, incenso ou pan de muerto.
Mas definitivamente, para mim, esse vazio parece um pouco mais cheio de uma presença suave, como se essas almas realmente tivessem nos visitado e soubessemos que essas visitas irão voltar e poderemos novamente estar com elas.

Com um pouco de atraso, mas com a melhor das intenções:
Feliz dia de los muertos, para vocês!



















sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Hablas español?

Espanhol que nada! Hablamos portunhol! Kkkkk

Que aprender o espanhol é muito mais fácil para um brasileiro do que para outros povos, isso é fato.
Mas daí a pensar que falamos espanhol só porque entendemos tudo que os argentinos, mexicanos e espanhõis falam, isso é meio petulante da nossa parte, né?

Pois bem, assim como o português falado no Brasil parece uma outra lingua conforme você vai de uma região à outra, o espanhol falado em cada país tambem é diferente. E dentro de cada país, a lingua tambem tem suas particulariedades.

Por aqui temos encontrado muitos latinos e começamos a perceber as sutilezas de cada povo.
E o mais divertido é a provocação  entre eles!
Como os ingleses que dizem que os americanos, australianos e canadenses deixaram de falar inglês faz muito tempo, kkkkk

No meu grupo de amigas tem colombianas, argentinas, mexicanas e eu...
E das que eu menos entendo estão as argentinas. Demorei pra perceber a diferença. Você sabe?

Peguemos a palavra "ontem" em espanhol, para exemplo: AYER.
Minha amiga mexicana fala : adjér
A colombiana, algo entre alhér e adchér , não saquei, ainda.
A argentina fala: achér (como o nosso axé, mas como "r" no final)
E tambem já ouvi um cubano falando: aiér.

Fora que os mexicanos de Guadalajara rponunciam o "V" como se fosse "B".
Por ex: Viviana  se pronuncia Bibiana
E aí, para escrever eles perguntam :
- Bibiana com "B chica" (v) o con "B grande" (b)

Qual a pronuncia correta? Todas!
Ou vai dizer que nordestino não fala português por causa do sotaque (arretado de bom!)?

E quando um brasileiro "acha" que sabe falar espanhol  e passa a trocar "ção" por "cion", e pensa que está abafando?
Só rindo mesmo...

O mais engraçado de uma lingua tão parecida é o significado totalmente diferente de algumas palavras e expressões. e que rende surpresas e muitas confusões.
Quer testar seu nivel de espanhol/mexicano?
Tente adivinhar o que significa essas :
1) Prender la tele
2) tirar la basura
3) Bajar ao sótano
4) Tomar el tren ligero
5)Parada de camion
6) Subir a la banqueta
7) Tirar agua
8) Pollo en mole
9) Aula
10) Taller
11) El trae un jeans
12) Rojo
13) Vaso
14) Estar bien parado
15) Meter la pata

Vamos ao resultado...
1) Prender la tele - ligar a televisão
2) tirar la basura - jogar o lixo fora
3) Bajar ao sótano - descer para o porão (Essa é boa, né?!!!)
4) Tomar el tren ligero - pegar o metrô
5)Parada de camion - ponto de ônibus
6) Subir a la banqueta - subir na calçada
7) Tirar agua - saindo agua
8) Pollo en mole - mole é um tipo de molho mexicano (no me gusta...)
9) Aula - é a edificação, a aula do brasileiro é classe
10) Taller - oficina
11) El trae un jeans - Não, ele não está trazendo um jeans, ele esta "vestindo" um jeans
12) Rojo -  ahá ! Peguei você: rojo não é roxo, é vermelho.
13) Vaso - copo. Nada de pedir um vaso para colocar flores, hein?
14) Estar bien parado - é uma expressão que diz: Tem as costas quentes, conhce gente importante
15) Meter la pata - quer dizer: F... tudo; Danou-se!
16) Alto - Se vc vir uma placa com Alto, PARE! mesmo que você seja baixinho....

E aí? quantos você acertou?

E nessas de ouvir de tudo, aprendi um verbo que a cara da minha filha:
CANTINFLEAR - A ARTE DE FALAR, FALAR E NÃO DIZER NADA
O mais interessante é que esse verbo vem do nome de um artista mexicano, Cantinflas. Ele era um comediante e tem uns filmes muito legais. Era  mestre de falar pra caramba e deixar todos aturdidos, sem explicar nada, kkk
Quer conhecer um pouco dele? Digita aí: http://www.youtube.com/watch?v=XAXtsS-womk
Tem outro filme que não achei agora, mas ele deixa a policia sem saber o que fazer, kkkk
divirtam-se

Saludos !




quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Tô multada !!!


Tenho 24 anos de carteira de motorista e só tinha levado 2 multas em todo esse tempo.Até chegar ao Mexico, claro!
Minha primeira multa foi com 18 anos, no primeiro dia que peguei o carro, cruzei São Paulo e fui pra faculdade. Imagine uma novata, pegando o carro pela primeira vez porque o pai a obrigou, enfrentando a marginal Pinheiros, Rebouças, caminhos de piolho pra chegar ao Mackenzie as 7:15 da manhã.
Foi difícil, mas nada traumático. Dificil mesmo, e traumático, foi rodar vezes e vezes pelas ruas de Higienópolis atrás de uma vaga para estacionar.
Aí é que o bicho pegou! Sabe o que eu fiz? Parei na esquina da Itambe com a rua Piauí. Na esquina mesmo !
As seis da tarde, tinha um presente no vidro...e sabe que só aí que eu me liguei que eu não podia fazer  o que fazia na rua de casa...parar na esquina, na faixa amarela, etc.
A segunda multa foi uns dez ou doze anos depois. Eu morava no interior de São Paulo e tinha acabado de descobrir um atalho pra ir buscar meu filho no berçário. Lindo, né?
O problema é que era uma descidona gostosa e eu nem me liguei no radar móvel instalado ali. O limite de velocidade era 50km e eu estava a 60km. Não foi tão ruim assim, né?
Depois dessa, não me lembro de ter levado nenhuma outra multa, mesmo porque meus caminhos eram em ruas de baixa velocidade e sempre tinha passageiros vulneráveis no carro. Eu não tinha nem como e nem porque sair correndo a mais de 60km/h.
Até que mudamos para o Mexico.

Comprei meu carrinho (usado, mas lindinho!) e no fim de Agosto já estava pilotando. Pilotando é a palavra certa para essa cidade: aqui ninguém anda de carro, todo mundo corre, ou foge, não sei...O sistema também não me ajuda muito, aliás, está me atrapalhando bastante. Sabe como?
Então, existem símbolos no Brasil que também existem aqui, mas não significam a mesma coisa, e aí eu danço!
Por exemplo: a faixa branca que divide as duas pistas. No Brasil, se ela é pontilhada, você pode ultrapassar, se é contínua, não ultrapasse. O mais importante é que se a faixa é dupla, vc sabe que a rua tem duas mãos.
Aqui no Mexico, as faixas são contínuas, o tempo todo. O que me atrapalha?  Imagine que você está perdida, não existe (acho que é lei, kkkk!) nenhuma placa indicando o nome das ruas, e você entra em uma rua que tem uma faixa continua pintada no chão. O que você pensa? Eu pensei: bem, estou em uma rua de duas mãos. Certo? Se você tiver sorte, sim. Se tiver azar, vai estar na contramão, kkk. E vai dar de cara com uma mega pick-up que vai desviar de você  sem frear.

Os parquímetros. Ah, os parquímetros!
à esquerda, o novos    /        à direita, os velhos
 

Já faz alguns meses que rola uma ação judicial entre a empresa que instalou os novos modelos e a prefeitura. Sei lá o que se passa, mas sei que ás vezes você encontra os dois modelos no mesmo lugar e não sabe qual usar. De novo, se der sorte, usa o correto. Se der azar, vai levar uma multa  e ter que recorrer..... e vai ter dor de cabeça, claro.
Voltando ao tal parquímetro, a escola dos meus filhos fica em uma rua super estreita, e as ruas ao redor não tem quase nenhuma vaga para parar. Na hora da chegada, beleza!, pois a maioria dos pais faz uma fila de carros para as crianças saltarem na frente da escola, e o trânsito até que vai na boa e tem vagas para estacionar.
O problema é na saída. Como meus filhos são pequenos, eu tenho que entrar na escola para retirá-los das classes- eles não podem sair da escola se eu não estiver junto. E para isso eu tenho que chegar pelo menos meia hora antes, se quiser parar na rua da escola (de outra forma vou ter que andar umas 4 quadras com as crianças cansadas...).
E na rua da escola, tem esses tais parquímetros – só que do modelo mais antigo.

E tem também, vários “guardadores de carro” que te dizem: “Não precisa por moeda agora, o guarda não vem”; ou então te falam pra não colocar moedas e se o guarda vier, eles colocam pra você e vc paga pra eles.

O que foi que eu fiz, então? Passei a deixar o carro estacionado, sem moeda alguma, contando que o &%$#@* do carinha iria colocar, conforme combinado.
Até que num dia, eu tive que ficar com as crianças na escola até mais tarde, bem depois da hora da saída.
E o que foi que eu encontrei quando fui pegar o carro? Nenhum carinha na rua, e um belo ticket amarelo no vidro. Terceira multa em 24 anos e primeira no Mexico.
Dia seguinte comecei a encher meu porta moedas com moedas de 1 centavo de peso, que são só as que esse modelo aceita. E detalhe: você só pode colocar 4 moedas de cada vez e isso é igual a 1hora de estacionamento.
Ainda estou pensando como vou fazer nos dias que tenho aula e depois as crianças tem aulas complementares, e a gente tiver que ficar na escola por 5 horas...
Não, não há estacionamentos por perto.... você acha que essa não foi a minha primeira opção?

 A segunda multa foi menos de uma semana depois. E com essa eu estou muito, muito irritada.
Domingão de sol, resolvi levar as crianças à um Parque. O parque é enorme e fica numa área de uso misto, residência e comércios. A rua que dá a volta no parque estava abarrotada de carros estacionados. Alguns subiam em cima da guia, outros não. Alguns estavam em cima de faixas amarelas, outros de faixas brancas. E os minúsculos estacionamentos (para 40 veículos cada um) do parque, que ficam ao longo dessa rua, estavam lotados.
Como eu queria alugar bicicletas, resolvi não ir muito adiante para não ter que andar muito a pé, dentro do parque. E resolvi parar como todos os outros carros: ao longo da rua, com uma roda na calçada.
E fomos nos divertir.
Na volta, aquele ‘maledeto” ticket no vidro: “estacionarse sin derecho; sin respetar la linea amarilla así como en lugar prohibido”. Que linha amarela? Eu estava em cima de uma linha branca! Como assim, estacionamento proibido? Não tinha nenhuma placa e havia zilhões de carros na mesma situação!!!
Agora tenho que descobrir como fazer para pagar essas multas. E já soube que não se paga em banco, provavelmente terei que ir até alguma secretaria de transporte, ou algo assim, e pagar em cash.

 Aliás, esse lance de ter que ir ao local para pagar conta é uma coisa extremamente atrasada aqui.
Imagine você, que temos que ir até a empresa de telefone para pagar a fatura.
É aquela coisa tipo carnê de Casas Bahia, sabe? Só que você não recebe o carnê.
Você não recebe a fatura em casa e vai até o banco que tem conta para paga-la (ou agenda pela internet). Aqui você não recebe fatura. Você tem que ira até lá, no dia certo, e pagar.
Para outras contas de consumo, tipo agua e luz, existem caixas eletrônicos específicos instalados em lojas de conveniência ou shoppings.

 E eu fico aqui pensando: cadê o dinheiro do Petróleo mexicano? Onde é que eles usaram?

O povo não tem educação (em todos os sentidos!), não tem saúde, não tem agua potável, tem pouco ou nada de esgoto tratado, não tem modernidades (a internet é horrível em comparação com o Brasil), o sistema de transporte público é super ultrapassado, e ainda por cima, comem tudo com chille!
Desculpem-me o “mau-humor”, mas duas multas em uma semana é demais para mim, kkkk.

Por essas e por outras eu sempre me lembro de uma piadinha que li, há tempos:

"Às transcedentais indagações que afligem os homens:
- Quem somos?
- Daonde viemos?
- Para onde vamos?
Acrescenta-se uma, mais aterradora:
- Conseguiremos estacionar? "

Saludos !!


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Curiosidades comida de rua

 O Anthony Bourdain, meu ídolo ( e tambem Jamie Oliver e a Nigela) tinha um programa sobre comida de rua. Ele visitava varios paises em busca das suas tradicionais comidas de rua.
Depois de ver esses programas passei a dar mais valor às comidas de rua. Por onde tenho passado, faço questão- se possivel, claro- de comer algo bem típico, de rua.
 É assim que eu acabo conhecendo a essência de cada país.
Diga-me o que comes e te direi quem és ....
Lembro que, antes de irmos morar na Suécia, eu vi um programa dele em Estocolmo. Ele comia uma coisa maravilhosa chamada Tunnbrödsrulle. Nem preciso dizer que não sosseguei enquanto não comi um desses lá.

então, vamos lá.
Aqui estão algumas das curiosidades que encontramos por aqui:

- Como se sabe,  padaria, como conhecemos no Brasl, só mesmo no Brasil. Esse lance de vender de tudo um pouco, com pão francês quentinho, pela manhã e à tarde; sandubas, refeiçoes, a branquinha no fim do dia, é uma coisa cultural, bem brasileira.
Por aqui temos, em cada esquina (sem exagero!) uma loja de conveniência. Na verdade, são apenas duas lojas que dominam tudo: 7-eleven e Oxo. Na hora da comida, entre 12 e 15h, eles vendem tortillas com diversos recheios e salsas, que os trabalhadores compram. De resto, é como conhecemos de loja de conveniência, sem o lance de ter mesas e banquinhos para aquele cafézinho.

Existem algumas panaderias, mas são espaços com alguns pães e muitos,muitos donuts, biscoitos grandes, recheados ou cobertos, empanadas com recheios estranhos (o tal Mole, que um dia vou tentar descrever o que é!)

Na verdade, as pessoas não tem o hábitos de ir à panaderia para comprar pães - o negocio deles é tortillas!
 Nos supermercados tem um setor que os vende e no mercado aqui perto, vende uma baguete formidável e um outro pão que lembra muito o pão francês
 E onde a gente compra o pão nosso de cada dia? Na rua! Sim, existem pessoas que vendem pães na rua. Perto da escola fica uma senhora, com um cesto enorme, que vende um pão tipo o italiano, que é muito bom.  E são pessoas que ficam sempre nos mesmo pontos, nos mesmo horários. Um motorista me disse que quem os abastece são as tais panaderias.

- Pão na mão, quer dizer, no carro, café , se você tiver passado no drive thru de alguma Starbucks no caminho e, jornal. Lembra aquela época em que sempre havia gente vendendo jornal nos semáforos, pela manhã? Aqui é assim. E tem tambem alguns periódicos gratuitos, mas não são lá grandes coisas. Com esse ítens, você está "listo" para enfrentar o trânsito para ir ao trabalho ou deixar as kids na escola.
´
- Bateu uma vontade de comer algo e não quer apelar para uma loja de conveniência, com suas comidas "chatarras"? É só ir até uma rua mais movimentada e vai encontrar barraquinhas que vendem frutas frescas cortadas, em potes de plástico. Os caras cortam as frutas na hora e colocam no pote para você. Parece legal, né? E é, até o dia que você se dá conta de que o balde com agua turva ao lado da barraca, é onde ele lava as frutas e as facas.... Não tem torneira e agua corrente na rua, ne´?

- E se você não teve coragem de encarar o vendedor de frutas, não vai nem querer parar nas barraquinhas deliciosamente cheirosas, que vendem comida na rua ! A comida parece ser bem feitinha, o problema é, digamos, um certo nojo- mais cultural que real- de como a comida é servida: o vendedor pega  um prato de plástico, cobre com um saco plástico e coloca a comida em cima desse prato, coberto com o saco plástico. Lembrando que tudo aqui se come com salsa, muita salsa, que lambuza todo o prato. Ao menos eles te dão colheres de plástico para comer. Quando você acaba, eles retiram o saco plástico do prato, colocam outro e servem outra pessoa...
Isso me faz lembrar do meu pai contando sobre os lugares onde ele tinha que comer, quando foi revisar umas obras no Peru e Equador, há 30 anos atrás. Igualzinho! A única diferença é que, para manusear o dinheiro, hoje em dia eles usam um saquinho plastico nas mão. Naquela época, nem isso...

- Existe uma bebida "muy mucho refrescante" como se diz em Guadalajara, que chama Tejuino. É algo tipo um chá, com limão e mais alguma coisa que não sei ao certo.Sei que é feito com massa de milho, que fica fermentando em uma panela de barro... Estou perseguindo o tiozinho que vende isso em frente `a escola dos meus filhos, porque me disseram que é o melhor da cidade. Ele vem todo dia no verão, no meio da tarde, mas os dias que ele estava eu não tinha $$$. E os dias que eu tinha, estava chovendo muito e ele não apareceu. Mas não saio daqui sem provar!

 

- e o tejuino me leva a outra coisa: Nieve de garrafa.
Se parece com a nossa raspadinha, na consistência; mas é feita de maneira bem artesanal, com agua ou leite e açucar. Depois, já na copinho de servir, eles colocam os tais xaropes que dão os sabores. (E o tiozinho do Tejuino serve com nieve...)


 
 



That's all folks!

Nos vemos!!!